Surpresas...
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M.H.
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Tomei um banho demorado. Vesti uma regata preta, e por cima uma camiseta xadrez (vermelha e branca), calça jeans e uma sandália preta. Depois que tinha me arrumado, fui até a cozinha, e peguei um pedaço de bolo e um copo de leite. Vovó sorriu ao me ver comendo, sorri de volta, com a boca cheia.
Antes de sair, beijei o rosto de vovó, e abracei.
- Prometo que tudo ficar vai ficar bem agora. - Sussurrei em sue ouvido.
Vovô insistiu em me levar para a escola, tentei recusar, mas no fim acabei aceitando.
Dei um beijo em seu rosto antes de saltar do carro, ele sorriu, e fiquei olhando seu carro sumir na esquina.
Me virei, e fui andando para a entrada da escola, olhando para meus sapatos. Bati em alguém, que me fez cair.
Fui tudo tão rápido, que a primeira coisa que vi depois de cair, foram seus olhos cor de mel.
- Daqui a pouco vou acabar cobrando pra amortecer suas quedas.. - Disse ele rindo.
Sua voz era forte, grave, mas ao mesmo tempo doce e maravilhosa, assim como seu rosto, seus olhos.
- Me desc-culpe, eu não o vi, estava olhando para o chã-ão, e, desculpa..
- Fique calma.. Não precisa gaguejar porque caiu sobre mim...- Ele sorria. Um sorriso lindo, branco e brilhante.
- Desculpe...
Por um momento fiquei paralisada, olhando seus olhos. Parecia hipnotizada por eles. Era estranho, mas era bom. E ele olhava fixamente os meus também.
- E ai gente, vão ficar o dia todo deitados no chão? Eu sugiro uma cama, bem mais confortável pra esse tipo de coisa... - Disse uma voz feminina em tom de brincadeira, seguida de risos.
Levantei-me rapidamente. Me sentia tão envergonhada, mas, estendi a mão para o menino dos olhos cor-de-mel. Ele a pegou sorrindo, e se levantou. Bateu a mão em sua calça, limpando a sujeira. Eu continuei o olhando, admirada. De repente, despertei. Comecei a andar, e me virei uma ultima vez.
- Desculpe-me novamente.
Tive tempo ao menos de ver um grupo de pessoas ao seu lado, me encarando, mas não reparei a fisionomia de ninguém mais.
Andei tão depressa que parecia que estava correndo.
Cheguei na sala, não havia ninguém ainda.
O que tinha acontecido comigo?
Eu parecia hipnotizada por aquele garoto. E o pior de tudo, nem seu nome eu sabia. Mas ele parecia ser alguém legal. Se alguém ficava caindo em mim, eu não seria tão gentil. Não no passado, agora, eu provavelmente ia apenas correr.
Mas ele era tão lindo...
Eu precisava parar de pensar nele. Não podia ficar admirando garotos. Nunca fui de ficar paquerando, namorando, na verdade nem nunca havia namorado e nem nunca tinha tido interesse, mamãe sempre me dizia que homens apenas nos faziam sofrer, então quanto mais eu evitasse um namoro, melhor seria. Então, se antes não havia interesse, agora muito menos. Agora que eu era uma pessoa fria, quase como uma morta andando entre os vivos.
Um outro aluno chegou, quando me viu, ficou com uma expressão estranha, e logo se sentou do outro lado da sala bem distante de mim.
- Ei.. - Disse ele.
Pensei que estivesse falando com alguém em outro lugar, no celular, algo assim, mas quando olhei para ele, ele estava me olhando, esperando uma resposta.
- Sim..? - Respondi.
Ele sorriu. Ele também era bonito, sorriso legal, cabelos castanhos curtos, pele branca, corpo nem gordo, nem muito sarado, e um pouco mais alto que eu provavelmente.
- Você é Agatha Mendes né?
- Sim..
- Eu sabia, nunca esqueceria seu lindo rosto, mesmo que naquele dia estivesse todo molhado, e com sua boca roxa.
Fiquei espantada. Do que esse garoto estava falando?
- Como? Não estou entendendo.
- Me desculpe, não deve se lembrar de mim.
Ele se levantou, e caminhou até minha frente.
- Eu sou Pedro, filho de Maria Isabel. Fui eu quem te salvei no dia em que se afogou.- Ele estendeu a mão.
Não sei porque, eu fiquei muito surpresa, abri a boca, e me afastei pra trás. Aquele garoto. Havia salvado minha vida, e foram seus lábios que fizeram isso. Podia parecer que eu estava louca, ou afetada pelo afogamento, mas quando seus lábios haviam tocado os meus, a sensação que senti, foi maravilhosa, inexplicável.
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The only exception, é um blog onde a imaginação de uma nova escritora, movida pela curiosidade de seus leitores, a fará escrever diversas histórias. 1ª história: "Agatha Mendes, 16 anos, Uma adolescente normal, com seus sonhos, seus desejos, suas frustrações, seus momentos de alegria... há cada dia uma nova surpresa surgirá em sua vida... Há cada dia, ela aprenderá a viver, a sofrer, a amar..."
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