Morte/sonho...
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M.H.
-
Sempre imaginei que a morte fosse algo horrível, doloroso e completamente diferente do que qualquer ser humano já tinha visto em vida. Mas não, com toda certeza, dores muito fortes haviam me atacado, a angústia de não conseguir ar. Mas agora, havia tanta paz, e eu parecia viver em um sonho. Era estranho, onde estava o céu? O inferno?
A morte era serena. Eu andava em um campo limpo, sozinha, e o fato de estar sozinha não me era estranho, nem incômodo. Era apenas sereno, havia paz em qualquer lugar. Apenas a grama, e as flores que estavam a minha volta, me faziam sorrir, e não me sentir sozinha.
A morte definitivamente era algo bom. Muito melhor do que minha vida sem mamãe. Na verdade a morte se parecia com um sonho. Um sonho maravilhoso.
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A morte era serena. Eu andava em um campo limpo, sozinha, e o fato de estar sozinha não me era estranho, nem incômodo. Era apenas sereno, havia paz em qualquer lugar. Apenas a grama, e as flores que estavam a minha volta, me faziam sorrir, e não me sentir sozinha.
A morte definitivamente era algo bom. Muito melhor do que minha vida sem mamãe. Na verdade a morte se parecia com um sonho. Um sonho maravilhoso.
Meu fim... Parecia tão ridículo, morrer daquela forma. Mas eu encontraria mamãe, só mais alguns segundos, com angústia insuportável e a dor, da água que invadia meus pulmões, enquanto eles procuravam ar, e eu estaria com minha mamãe.
Seriamos felizes como sempre, não haveria mais a preocupação de que algum dia nos afastássemos novamente uma da outra.
Mas, o que eu estava fazendo?! Parecia uma louca psicopata! Mamãe nunca aprovaria um suicídio, e eu sempre fora contra isso. Eu me debati novamente, e tentei voltar a superfície, porém, meus membros não sabiam como fazer aquilo, e estava muito debilitados. Aos poucos eu fui descendo, e descendo. Era o meu fim definitivamente.
- Ai meu Deus! Acorda!- Ouvi ao longe alguém sussurrando.
Meus olhos doíam. Abri eles aos pouquinhos, não consegui enxergar nada, e minha garganta ardia. Eu tossi, e muita água saiu por meus lábios.
- Isso, isso.. Acorde, respire.. Resista!- O sussurro estava cada vez mais baixo.
Senti lábios tocarem os meus, mesmo com toda a dor que eu senti, aquilo fez meus lábios formigarem, era bom, a única sensação boa em meio a toda a dor. Tossi novamente, e mais água saiu. Minha garganta ardia muito, e meu corpo todo doía. Eu respirei fundo, e o ar causou dor desde minha garganta, até meus pulmões.
- Isso linda, respire, o socorro está a caminho.- Disse a voz, e foi a última coisa que ouvi.
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Seriamos felizes como sempre, não haveria mais a preocupação de que algum dia nos afastássemos novamente uma da outra.
Mas, o que eu estava fazendo?! Parecia uma louca psicopata! Mamãe nunca aprovaria um suicídio, e eu sempre fora contra isso. Eu me debati novamente, e tentei voltar a superfície, porém, meus membros não sabiam como fazer aquilo, e estava muito debilitados. Aos poucos eu fui descendo, e descendo. Era o meu fim definitivamente.
- Ai meu Deus! Acorda!- Ouvi ao longe alguém sussurrando.
Meus olhos doíam. Abri eles aos pouquinhos, não consegui enxergar nada, e minha garganta ardia. Eu tossi, e muita água saiu por meus lábios.
- Isso, isso.. Acorde, respire.. Resista!- O sussurro estava cada vez mais baixo.
Senti lábios tocarem os meus, mesmo com toda a dor que eu senti, aquilo fez meus lábios formigarem, era bom, a única sensação boa em meio a toda a dor. Tossi novamente, e mais água saiu. Minha garganta ardia muito, e meu corpo todo doía. Eu respirei fundo, e o ar causou dor desde minha garganta, até meus pulmões.
- Isso linda, respire, o socorro está a caminho.- Disse a voz, e foi a última coisa que ouvi.
O fim...
A aula parecia não ter fim. Talvez eu apenas estivesse imaginando coisas, mas parecia que todos me encaravam o tempo todo, onde quer que eu fosse.
Durante as aulas, eu me encolhia cada vez mais no canto. Me sentia tão insegura, uma completa estranha e esquisita ali. Em minha antiga escola, eu não era muito popular, porém, tinha bons amigos. Amigos com os quais eu passara momentos maravilhosos, engraçados, "tristes" (Até então, eu não sabia o que realmente era tristeza).
Há 3 meses atrás, eu não ficaria calada por tanto tempo. Passaria a aula toda conversando com Sara, e com Alexssander, meus melhores amigos. Os meus outros colega de sala, Thiago, Henrique, Jessika, Awslayyne, com os quais eu também conversava bastante, não me faziam tanta falta como Sara e Alexssander. Eu os conhecera no jardim de infância, e por incrível que parece, nunca tínhamos nos separados. Eles amavam mamãe também, e foram eles quem mais me deram apoio desde que ela se fora. Eu ligava para eles todas as noites.
Rívia tentava a todo custo conversar comigo, mas eu me encolhia sempre que falava algo, que normalmente eram: "Ok, sim, talvez, não.". Esse meu novo modo de ser me surpreendia, eu nunca tivera dificuldade em conversar com ninguém, ou em me entrosar em um grupo. Não era popular em meu antigo colégio, por que realmente não queria, preferia ficar apenas com Sara e Alexssander.
Quando finalmente a aula acabou, eu sai correndo da sala. Ao passar pelo corredor, bati de frente com alguém, cai no chão, levantei-me depressa, e olhei em volta com muita vergonha. Um menino relativamente belo me encarava, ele ainda estava no chão.
- Novata?- Perguntou ele levantando sua sobrancelha direita. Seus olhos cor de mel chamavam bastante a atenção em seu rosto pardo.
- Si-sim.- Gaguejei.- Me desculpe, não era me intenção bater em você.
Dizendo isso, eu me virei e corri novamente.
Finalmente cheguei em casa, fui para meu casulo. Aquele quartinho nunca me trouxera tanta segurança. Peguei meu celular e liguei para Sara. Ela atendeu ao primeiro toque.
- Oi Agatha!- Disseram ela e Alexssander em coro.
Meus olhos lacrimejaram apenas em ouvir suas vozes.
- Oi gente.- Eu sorri. Era tão bom poder falar com eles.
Conversamos por algum tempo. Após desligar, eu ajudei vovó a lavar louça e depois assisti TV durante muito tempo. Após comer algo, eu tomei banho, escovei os dentes, e deitei-me.
Dormi tranquila. Ao menos não tinha mais pesadelos como nas primeiras semanas em que chegara ali.
" Amanhã será melhor. Você irá se entrosar com a turma, e perder esse medo repentino das pessoas." Pensei comigo mesma.
Mas não foi assim. Na realidade, aquilo se tornou algo rotineiro. Três meses se passaram, e eu continuava encolhida no canto durante as aulas, e não me levantava sequer na hora do recreio.
Com o tempo, Rívia desistiu de conversar comigo, e eu ganhei até um apelido, "esquisitinha do 2º D"
Eu também passara a falar menos com Sara e Alexssander.
Estava voltando para casa, como em qualquer dia rotineiro de minha vida sem sentido, quando o rio que rodeava a cidade chamou minha atenção, e a ideia surgiu em minha mente.
" Será rápido... Você não sabe nadar mesmo... Apenas alguns minutos, e estará com sua mamãe novamente..." Disse uma voz em minha cabeça.
Aquela ideia era assustadora, mas irresistível. Quando percebi, já estava na beira do pequeno rio.
Minha vida não fazia sentido mais, Não tinha amigos, não tinha mãe, não tinha "vida". Além de tudo, eu apenas causava preocupação pra meus avós, eu escutara eles conversando algumas noites atrás.
" - Querida, estou muito preocupada com Agatha. Os professores dela, têm reclamado de sua falta de atenção, e já a viram chorando diversar vezes durante as aulas.- Disse vovô. Sua voz era grave, e combinava com sua barriga grande, e seu rosto pardo com fortes feições.
- Ela sofre muito com a morte de Lúcia. Eu também já a vi chorando diversas vezes, ela não tem comido quase nada ultimamente.- Disse vovó.
- Ela é tão jovem. Tão bonita, e está perdendo a vida por conta disso. Estou com medo de que ela esteja em depressão.
- Eu também querido."
Além disso, desde que decedira usar apenas minha roupas pretas, combinado com forte lápis de olho preto, e meu cabelo naturalmente negro, acho que eles pensavam que eu tinha me transformado em algum tipo de gótica. Mas nunca tive a intenção de passar essa imagem, eu apenas criara uma inexplicável simpatia pelo preto.
Portanto, o fim seria a melhor escolha.
Joguei minha mochila no mato que estava atrás de mim, e pulei. Era mais fundo do que eu imaginava. No momento em que eu comecei afundar, eu me debati. Tentei respirar, e junto com o ar, veio água.
Aos poucos meus membros ficaram fracos, e água me cobriu. Afinal, aquele parecia ser mesmo o meu fim...
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Durante as aulas, eu me encolhia cada vez mais no canto. Me sentia tão insegura, uma completa estranha e esquisita ali. Em minha antiga escola, eu não era muito popular, porém, tinha bons amigos. Amigos com os quais eu passara momentos maravilhosos, engraçados, "tristes" (Até então, eu não sabia o que realmente era tristeza).
Há 3 meses atrás, eu não ficaria calada por tanto tempo. Passaria a aula toda conversando com Sara, e com Alexssander, meus melhores amigos. Os meus outros colega de sala, Thiago, Henrique, Jessika, Awslayyne, com os quais eu também conversava bastante, não me faziam tanta falta como Sara e Alexssander. Eu os conhecera no jardim de infância, e por incrível que parece, nunca tínhamos nos separados. Eles amavam mamãe também, e foram eles quem mais me deram apoio desde que ela se fora. Eu ligava para eles todas as noites.
Rívia tentava a todo custo conversar comigo, mas eu me encolhia sempre que falava algo, que normalmente eram: "Ok, sim, talvez, não.". Esse meu novo modo de ser me surpreendia, eu nunca tivera dificuldade em conversar com ninguém, ou em me entrosar em um grupo. Não era popular em meu antigo colégio, por que realmente não queria, preferia ficar apenas com Sara e Alexssander.
Quando finalmente a aula acabou, eu sai correndo da sala. Ao passar pelo corredor, bati de frente com alguém, cai no chão, levantei-me depressa, e olhei em volta com muita vergonha. Um menino relativamente belo me encarava, ele ainda estava no chão.
- Novata?- Perguntou ele levantando sua sobrancelha direita. Seus olhos cor de mel chamavam bastante a atenção em seu rosto pardo.
- Si-sim.- Gaguejei.- Me desculpe, não era me intenção bater em você.
Dizendo isso, eu me virei e corri novamente.
Finalmente cheguei em casa, fui para meu casulo. Aquele quartinho nunca me trouxera tanta segurança. Peguei meu celular e liguei para Sara. Ela atendeu ao primeiro toque.
- Oi Agatha!- Disseram ela e Alexssander em coro.
Meus olhos lacrimejaram apenas em ouvir suas vozes.
- Oi gente.- Eu sorri. Era tão bom poder falar com eles.
Conversamos por algum tempo. Após desligar, eu ajudei vovó a lavar louça e depois assisti TV durante muito tempo. Após comer algo, eu tomei banho, escovei os dentes, e deitei-me.
Dormi tranquila. Ao menos não tinha mais pesadelos como nas primeiras semanas em que chegara ali.
" Amanhã será melhor. Você irá se entrosar com a turma, e perder esse medo repentino das pessoas." Pensei comigo mesma.
Mas não foi assim. Na realidade, aquilo se tornou algo rotineiro. Três meses se passaram, e eu continuava encolhida no canto durante as aulas, e não me levantava sequer na hora do recreio.
Com o tempo, Rívia desistiu de conversar comigo, e eu ganhei até um apelido, "esquisitinha do 2º D"
Eu também passara a falar menos com Sara e Alexssander.
Estava voltando para casa, como em qualquer dia rotineiro de minha vida sem sentido, quando o rio que rodeava a cidade chamou minha atenção, e a ideia surgiu em minha mente.
" Será rápido... Você não sabe nadar mesmo... Apenas alguns minutos, e estará com sua mamãe novamente..." Disse uma voz em minha cabeça.
Aquela ideia era assustadora, mas irresistível. Quando percebi, já estava na beira do pequeno rio.
Minha vida não fazia sentido mais, Não tinha amigos, não tinha mãe, não tinha "vida". Além de tudo, eu apenas causava preocupação pra meus avós, eu escutara eles conversando algumas noites atrás.
" - Querida, estou muito preocupada com Agatha. Os professores dela, têm reclamado de sua falta de atenção, e já a viram chorando diversar vezes durante as aulas.- Disse vovô. Sua voz era grave, e combinava com sua barriga grande, e seu rosto pardo com fortes feições.
- Ela sofre muito com a morte de Lúcia. Eu também já a vi chorando diversas vezes, ela não tem comido quase nada ultimamente.- Disse vovó.
- Ela é tão jovem. Tão bonita, e está perdendo a vida por conta disso. Estou com medo de que ela esteja em depressão.
- Eu também querido."
Além disso, desde que decedira usar apenas minha roupas pretas, combinado com forte lápis de olho preto, e meu cabelo naturalmente negro, acho que eles pensavam que eu tinha me transformado em algum tipo de gótica. Mas nunca tive a intenção de passar essa imagem, eu apenas criara uma inexplicável simpatia pelo preto.
Portanto, o fim seria a melhor escolha.
Joguei minha mochila no mato que estava atrás de mim, e pulei. Era mais fundo do que eu imaginava. No momento em que eu comecei afundar, eu me debati. Tentei respirar, e junto com o ar, veio água.
Aos poucos meus membros ficaram fracos, e água me cobriu. Afinal, aquele parecia ser mesmo o meu fim...
1º dia
Abri meus olhos. O teto escuro daquela casa sombria ainda estava ali, exatamente como quando fechei os fechei. Aquele quarto pequeno, que um dia teve paredes brancas, e pequenas rosas vermelhas desenhadas, era meu novo lar. Um dia minha mãe vivera ali. Era isso que mais me causava medo daquele lugar, e dor. Aquele lugar trazia de volta todas as lembranças boas, e as ruins de minha vida, e isso me causava muita dor, e sofrimento.
Sempre fomos apenas eu e ela, as melhores amigas, as duas mosqueteiras, como ela gostava de dizer, e com apenas um golpe, um maldito marginal a levara de mim. Em um instante nós estávamos andando e rindo, e no outro ela estava no chão agonizando.
Passei a mão por meu rosto, limpando as lágrimas. Aquilo já era um ritual pra mim, apenas um mês de sua ausência, e eu não sabia se poderia aguentar mais. Minha mãe era tudo pra mim, meu porto seguro, meu ombro amigo.
Depois que ela se fora, eu fui obrigada a ir para o interior, morar com meus avós. Eu chegara ali, e não havia saído daquela casa nem para ir ao quintal. Eu conversava com meus avós, eles me faziam bem, me faziam lembrar de minha mãe.
Meus avós eram muito pacientes comigo. Mas, não respeitaram minha decisão de não querer estudar esse ano. Eles haviam me matriculado na escola local, e hoje, era o meu primeiro dia de aula.
Após tomar banho, vesti a primeira coisa que achei. Uma blusa de renda branca, calça jeans desbotada, e meu casaco pastel. Calcei minhas botas pretas de cano curto. No reflexo do espelho meu cabelo negro estava em um cacheado perfeito, afinal, tinha acabado de lavá-lo. Passei lápis preto em volta de meu olho, o que destacava meus olhos verdes.
Peguei minha mochila, e fui para a cozinha. Minha avó já estava lá, eu fui até ela, e beijei seu rosto.
Vovó tinha a pele morena, exatamente como a de mamãe era, e a minha. Seus cabelos grisalhos estavam sempre presos em um coque.
- Está linda querida!- Disse ela com um sorriso enorme.
- Obrigada vovó.
Comi uma maça. Vovó tentou me fazer comer um pedaço de seu bolo de chocolate, mas eu recusei.
- Tudo bem então querida. Acho que já está na hora de você ir para a escola. Não quer mesmo que eu te acompanhe, ou que seu avô a leve de carro?
- Tenho vovó, eu sei onde fica, e a cidade é pequena, então a escola fica perto daqui. Eu consigo chegar lá sozinha. Não se preocupe.
Eu sai de casa, fechando a porta atrás de mim. Olhei pela última vez para aquela casa amarela pequena. Era tão perfeita por fora, um jardim bem cuidado, não havia muros, como em minha casa em São Paulo, apenas uma charmosa cerca branca.
Andei devagar, sempre olhando para o chão. Era estranho estar fora daquela casa, principalmente sozinha.
Finalmente avistei a escola. Dois pavilhões com cerca de 13 salas cada um. Fora o pátio, a secretaria, o banheiro, etc. Era uma escola bem grande, considerando o tamanho de Orlândia.
Aparentemente eu estava atrasada, não havia ninguém nos corredores. Ao menos eu não seria a única novata na escola, afinal, primeiro dia de aula do ano. Mas com certeza seria a única novata atrasada. Procurei meu nome nas listas das salas do segundo ano. Finalmente, 2º ano D, Agatha Mendes Souza.
Abri a porta, e todos da sala me encararam. Antes mesmo que eu abrisse a boca, um professor baixinho e gorducho, apontou com a cabeça um lugar no fim da sala. Eu abaixei a cabeça e fui para meu lugar.
Alguém me cutucou assim que me sentei. Olhei para o lado.
- Olá, meu nome é Rívia, prazer em conhecê-la.- A negra inexplicávelmente linda me estendeu a mão.- Como é seu nome?
- Agatha.- Falei, boquiaberta. Ela parecia de mentira, capa de uma revista, com seu cabelo cacheado castanho, seu rosto em um formato perfeito.
- Novata não é mesmo?
- Infelizmente sim.
- Bom, acho que além de você, temos mais um novato aqui, porém, ele é do primeiro ano.- Disse sorrindo.
Ao menos, eu não era a única.
Olhei para o lado, e todos ainda me encaravam.
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Sempre fomos apenas eu e ela, as melhores amigas, as duas mosqueteiras, como ela gostava de dizer, e com apenas um golpe, um maldito marginal a levara de mim. Em um instante nós estávamos andando e rindo, e no outro ela estava no chão agonizando.
Passei a mão por meu rosto, limpando as lágrimas. Aquilo já era um ritual pra mim, apenas um mês de sua ausência, e eu não sabia se poderia aguentar mais. Minha mãe era tudo pra mim, meu porto seguro, meu ombro amigo.
Depois que ela se fora, eu fui obrigada a ir para o interior, morar com meus avós. Eu chegara ali, e não havia saído daquela casa nem para ir ao quintal. Eu conversava com meus avós, eles me faziam bem, me faziam lembrar de minha mãe.
Meus avós eram muito pacientes comigo. Mas, não respeitaram minha decisão de não querer estudar esse ano. Eles haviam me matriculado na escola local, e hoje, era o meu primeiro dia de aula.
Após tomar banho, vesti a primeira coisa que achei. Uma blusa de renda branca, calça jeans desbotada, e meu casaco pastel. Calcei minhas botas pretas de cano curto. No reflexo do espelho meu cabelo negro estava em um cacheado perfeito, afinal, tinha acabado de lavá-lo. Passei lápis preto em volta de meu olho, o que destacava meus olhos verdes.
Peguei minha mochila, e fui para a cozinha. Minha avó já estava lá, eu fui até ela, e beijei seu rosto.
Vovó tinha a pele morena, exatamente como a de mamãe era, e a minha. Seus cabelos grisalhos estavam sempre presos em um coque.
- Está linda querida!- Disse ela com um sorriso enorme.
- Obrigada vovó.
Comi uma maça. Vovó tentou me fazer comer um pedaço de seu bolo de chocolate, mas eu recusei.
- Tudo bem então querida. Acho que já está na hora de você ir para a escola. Não quer mesmo que eu te acompanhe, ou que seu avô a leve de carro?
- Tenho vovó, eu sei onde fica, e a cidade é pequena, então a escola fica perto daqui. Eu consigo chegar lá sozinha. Não se preocupe.
Eu sai de casa, fechando a porta atrás de mim. Olhei pela última vez para aquela casa amarela pequena. Era tão perfeita por fora, um jardim bem cuidado, não havia muros, como em minha casa em São Paulo, apenas uma charmosa cerca branca.
Andei devagar, sempre olhando para o chão. Era estranho estar fora daquela casa, principalmente sozinha.
Finalmente avistei a escola. Dois pavilhões com cerca de 13 salas cada um. Fora o pátio, a secretaria, o banheiro, etc. Era uma escola bem grande, considerando o tamanho de Orlândia.
Aparentemente eu estava atrasada, não havia ninguém nos corredores. Ao menos eu não seria a única novata na escola, afinal, primeiro dia de aula do ano. Mas com certeza seria a única novata atrasada. Procurei meu nome nas listas das salas do segundo ano. Finalmente, 2º ano D, Agatha Mendes Souza.
Abri a porta, e todos da sala me encararam. Antes mesmo que eu abrisse a boca, um professor baixinho e gorducho, apontou com a cabeça um lugar no fim da sala. Eu abaixei a cabeça e fui para meu lugar.
Alguém me cutucou assim que me sentei. Olhei para o lado.
- Olá, meu nome é Rívia, prazer em conhecê-la.- A negra inexplicávelmente linda me estendeu a mão.- Como é seu nome?
- Agatha.- Falei, boquiaberta. Ela parecia de mentira, capa de uma revista, com seu cabelo cacheado castanho, seu rosto em um formato perfeito.
- Novata não é mesmo?
- Infelizmente sim.
- Bom, acho que além de você, temos mais um novato aqui, porém, ele é do primeiro ano.- Disse sorrindo.
Ao menos, eu não era a única.
Olhei para o lado, e todos ainda me encaravam.
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The only exception, é um blog onde a imaginação de uma nova escritora, movida pela curiosidade de seus leitores, a fará escrever diversas histórias. 1ª história: "Agatha Mendes, 16 anos, Uma adolescente normal, com seus sonhos, seus desejos, suas frustrações, seus momentos de alegria... há cada dia uma nova surpresa surgirá em sua vida... Há cada dia, ela aprenderá a viver, a sofrer, a amar..."
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