O fim...

    A aula parecia não ter fim. Talvez eu apenas estivesse imaginando coisas, mas parecia que todos me encaravam o tempo todo, onde quer que eu fosse.
    Durante as aulas, eu me encolhia cada vez mais no canto. Me sentia tão insegura, uma completa estranha e esquisita ali. Em minha antiga escola, eu não era muito popular, porém, tinha bons amigos. Amigos com os quais eu passara momentos maravilhosos, engraçados, "tristes" (Até então, eu não sabia o que realmente era tristeza).
    Há 3 meses atrás, eu não ficaria calada por tanto tempo. Passaria a aula toda conversando com Sara, e com Alexssander, meus melhores amigos. Os meus outros colega de sala, Thiago, Henrique, Jessika, Awslayyne, com os quais eu também conversava bastante, não me faziam tanta falta como Sara e Alexssander. Eu os conhecera no jardim de infância, e por incrível que parece, nunca tínhamos nos separados. Eles amavam mamãe também, e foram eles quem mais me deram apoio desde que ela se fora. Eu ligava para eles todas as noites.
    Rívia tentava a todo custo conversar comigo, mas eu me encolhia sempre que falava algo, que normalmente eram: "Ok, sim, talvez, não.". Esse meu novo modo de ser me surpreendia, eu nunca tivera dificuldade em conversar com ninguém, ou em me entrosar em um grupo. Não era popular em meu antigo colégio, por que realmente não queria, preferia ficar apenas com Sara e Alexssander.
    Quando finalmente a aula acabou, eu sai correndo da sala. Ao passar pelo corredor, bati de frente com alguém, cai no chão, levantei-me depressa, e olhei em volta com muita vergonha. Um menino relativamente belo me encarava, ele ainda estava no chão.
    - Novata?- Perguntou ele levantando sua sobrancelha direita. Seus olhos cor de mel chamavam bastante a atenção em seu rosto pardo.
    - Si-sim.- Gaguejei.- Me desculpe, não era me intenção bater em você.
    Dizendo isso, eu me virei e corri novamente.
    Finalmente cheguei em casa, fui para meu casulo. Aquele quartinho nunca me trouxera tanta segurança. Peguei meu celular e liguei para Sara. Ela atendeu ao primeiro toque.
    - Oi Agatha!- Disseram ela e Alexssander em coro.
    Meus olhos lacrimejaram apenas em ouvir suas vozes.
    - Oi gente.- Eu sorri. Era tão bom poder falar com eles.
    Conversamos por algum tempo. Após desligar, eu ajudei vovó a lavar louça e depois assisti TV durante muito tempo. Após comer algo, eu tomei banho, escovei os dentes, e deitei-me.
    Dormi tranquila. Ao menos não tinha mais pesadelos como nas primeiras semanas em que chegara ali.
    " Amanhã será melhor. Você irá se entrosar com a turma, e perder esse medo repentino das pessoas." Pensei comigo mesma.
    Mas não foi assim. Na realidade, aquilo se tornou algo rotineiro. Três meses se passaram, e eu continuava encolhida no canto durante as aulas, e não me levantava sequer na hora do recreio.
    Com o tempo, Rívia desistiu de conversar comigo, e eu ganhei até um apelido, "esquisitinha do 2º D"
    Eu também passara a falar menos com Sara e Alexssander.


   
   

     Estava voltando para casa, como em qualquer dia rotineiro de minha vida sem sentido, quando o rio que rodeava a cidade chamou minha atenção, e a ideia surgiu em minha mente.
     " Será rápido... Você não sabe nadar mesmo... Apenas alguns minutos, e estará com sua mamãe novamente..." Disse uma voz em minha cabeça.
    Aquela ideia era assustadora, mas irresistível. Quando percebi, já estava na beira do pequeno rio.
    Minha vida não fazia sentido mais, Não tinha amigos, não tinha mãe, não tinha "vida". Além de tudo, eu apenas causava preocupação pra meus avós, eu escutara eles conversando algumas noites atrás.
     " - Querida, estou muito preocupada com Agatha. Os professores dela, têm reclamado de sua falta de atenção, e já a viram chorando diversar vezes durante as aulas.- Disse vovô. Sua voz era grave, e combinava com sua barriga grande, e seu rosto pardo com fortes feições.
       - Ela sofre muito com a morte de Lúcia. Eu também já a vi chorando diversas vezes, ela não tem comido quase nada ultimamente.- Disse vovó.
       - Ela é tão jovem. Tão bonita, e está perdendo a vida por conta disso. Estou com medo de que ela esteja em depressão.
       - Eu também querido."
    Além disso, desde que decedira usar apenas minha roupas pretas, combinado com forte lápis de olho preto, e meu cabelo naturalmente negro, acho que eles pensavam que eu tinha me transformado em algum tipo de gótica. Mas nunca tive a intenção de passar essa imagem, eu apenas criara uma inexplicável simpatia pelo preto.
    Portanto, o fim seria a melhor escolha.
    Joguei minha mochila no mato que estava atrás de mim, e pulei. Era mais fundo do que eu imaginava. No momento em que eu comecei afundar, eu me debati. Tentei respirar, e junto com o ar, veio água.
    Aos poucos meus membros ficaram fracos, e água me cobriu. Afinal, aquele parecia ser mesmo o meu fim...
                   

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