Abri meus olhos. O teto escuro daquela casa sombria ainda estava ali, exatamente como quando fechei os fechei. Aquele quarto pequeno, que um dia teve paredes brancas, e pequenas rosas vermelhas desenhadas, era meu novo lar. Um dia minha mãe vivera ali. Era isso que mais me causava medo daquele lugar, e dor. Aquele lugar trazia de volta todas as lembranças boas, e as ruins de minha vida, e isso me causava muita dor, e sofrimento.
Sempre fomos apenas eu e ela, as melhores amigas, as duas mosqueteiras, como ela gostava de dizer, e com apenas um golpe, um maldito marginal a levara de mim. Em um instante nós estávamos andando e rindo, e no outro ela estava no chão agonizando.
Passei a mão por meu rosto, limpando as lágrimas. Aquilo já era um ritual pra mim, apenas um mês de sua ausência, e eu não sabia se poderia aguentar mais. Minha mãe era tudo pra mim, meu porto seguro, meu ombro amigo.
Depois que ela se fora, eu fui obrigada a ir para o interior, morar com meus avós. Eu chegara ali, e não havia saído daquela casa nem para ir ao quintal. Eu conversava com meus avós, eles me faziam bem, me faziam lembrar de minha mãe.
Meus avós eram muito pacientes comigo. Mas, não respeitaram minha decisão de não querer estudar esse ano. Eles haviam me matriculado na escola local, e hoje, era o meu primeiro dia de aula.
Após tomar banho, vesti a primeira coisa que achei. Uma blusa de renda branca, calça jeans desbotada, e meu casaco pastel. Calcei minhas botas pretas de cano curto. No reflexo do espelho meu cabelo negro estava em um cacheado perfeito, afinal, tinha acabado de lavá-lo. Passei lápis preto em volta de meu olho, o que destacava meus olhos verdes.
Peguei minha mochila, e fui para a cozinha. Minha avó já estava lá, eu fui até ela, e beijei seu rosto.
Vovó tinha a pele morena, exatamente como a de mamãe era, e a minha. Seus cabelos grisalhos estavam sempre presos em um coque.
- Está linda querida!- Disse ela com um sorriso enorme.
- Obrigada vovó.
Comi uma maça. Vovó tentou me fazer comer um pedaço de seu bolo de chocolate, mas eu recusei.
- Tudo bem então querida. Acho que já está na hora de você ir para a escola. Não quer mesmo que eu te acompanhe, ou que seu avô a leve de carro?
- Tenho vovó, eu sei onde fica, e a cidade é pequena, então a escola fica perto daqui. Eu consigo chegar lá sozinha. Não se preocupe.
Eu sai de casa, fechando a porta atrás de mim. Olhei pela última vez para aquela casa amarela pequena. Era tão perfeita por fora, um jardim bem cuidado, não havia muros, como em minha casa em São Paulo, apenas uma charmosa cerca branca.
Andei devagar, sempre olhando para o chão. Era estranho estar fora daquela casa, principalmente sozinha.
Finalmente avistei a escola. Dois pavilhões com cerca de 13 salas cada um. Fora o pátio, a secretaria, o banheiro, etc. Era uma escola bem grande, considerando o tamanho de Orlândia.
Aparentemente eu estava atrasada, não havia ninguém nos corredores. Ao menos eu não seria a única novata na escola, afinal, primeiro dia de aula do ano. Mas com certeza seria a única novata atrasada. Procurei meu nome nas listas das salas do segundo ano. Finalmente, 2º ano D, Agatha Mendes Souza.
Abri a porta, e todos da sala me encararam. Antes mesmo que eu abrisse a boca, um professor baixinho e gorducho, apontou com a cabeça um lugar no fim da sala. Eu abaixei a cabeça e fui para meu lugar.
Alguém me cutucou assim que me sentei. Olhei para o lado.
- Olá, meu nome é Rívia, prazer em conhecê-la.- A negra inexplicávelmente linda me estendeu a mão.- Como é seu nome?
- Agatha.- Falei, boquiaberta. Ela parecia de mentira, capa de uma revista, com seu cabelo cacheado castanho, seu rosto em um formato perfeito.
- Novata não é mesmo?
- Infelizmente sim.
- Bom, acho que além de você, temos mais um novato aqui, porém, ele é do primeiro ano.- Disse sorrindo.
Ao menos, eu não era a única.
Olhei para o lado, e todos ainda me encaravam.
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M.H.
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The only exception, é um blog onde a imaginação de uma nova escritora, movida pela curiosidade de seus leitores, a fará escrever diversas histórias. 1ª história: "Agatha Mendes, 16 anos, Uma adolescente normal, com seus sonhos, seus desejos, suas frustrações, seus momentos de alegria... há cada dia uma nova surpresa surgirá em sua vida... Há cada dia, ela aprenderá a viver, a sofrer, a amar..."
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