- Ok... - Disse ele recolhendo a mão. - Você está bem?
Sacudi a cabeça, como se isso fosse colocar meus pensamentos em ordem.
- Sim, porque?- Disse, tentando parecer normal.
- Você está meio pálida.. Quer que eu a leve na enfermaria?- Seu rosto mostrava uma expressão apreensiva.
- Não, eu estou bem. - Respirei fundo, passei a mão pelo rosto.
- Vou pegar um pouco de água pra você.
Ele saiu da sala. Em seguida, alguns alunos começaram a entrar e tomar seus lugares, todos me olhavam com surpresa quando me viam. Depois ficavam olhando disfarçadamente e cochichando. Isso estava me deixando muito nervosa e envergonhada, me vi pedindo mentalmente para que Pedro voltasse logo.
Pedro entrou trazendo uma garrafa de água mineral com ele. Senti um grande alivio, ao menos agora eu não estava mais sozinha recebendo olhares curiosos, espantados e críticos.
Ele se sentou no lugar vago bem a minha frente, e se virou pra mim, com olhos cuidadosos.
- Bom, como eu não acho que a água dos bebedouros aqui são muito seguras, principalmente pra alguém que pode estar passando mal, eu comprei uma garrafa.- Ele sorria enquanto falava, seu sorriso realmente era lindo, mas não como o do garoto da entrada.- Beba. - Agora ele estava sério.
- Eu agradeço mas...
- Nada de mas, beba Agatha..
- Tudo bem, mas depois eu te pago o que gastou com a água.. - Disse pegando a garrafa, e levando a boca.
Só percebi que realmente estava com muita sede quando a água tocou minha boca. Bebi quase metade da água da garrafa.
- Que sede em..- Disse ele rindo.
Ri também. Nem acreditava que estava rindo, junto com um estranho.
- Obrigada. - Entreguei a garrafa a ele.
- Por nada senhorita.. - Disse ele sorrindo, em seguida levou a garrafa a boca, tomando um gole da água que restara.
Ele se levantou.
- Pedro... - Falei depois de muita hesitação.
- Sim? - Disse ele levantando a sobrancelha, surpreso por eu tê-lo chamado.
- Você, poderia, sentar-se aqui, perto de mim? - Eu ainda estava hesitante de pedir isso, mas era melhor do que ainda ficar sozinha ali.
Ele sorriu.
- Claro.
Logo correu até onde suas coisas estavam, e voltou para perto de mim. Todos da sala o olharam, e depois, ficaram nos olhando.
- Muito obrigada. Eu sou nova aqui obviamente, e tem muita gente me olhando, não estou me sentindo bem com isso, se você ficar aqui, vou me sentir melhor, afinal você é o único que ao invés de ficar me encarando com espanto e falando baixinho sobre mim está agindo normalmente comigo. - Me espantei quando acabei de falar e percebi que estava agindo normal, com uma pessoa que nunca tinha visto, mas que tinha salvado minha vida.
Ele riu.
- Sem problemas. Ficarei o tempo todo ao seu lado, até quando não precisar mais de mim.
Pensei em dizer que não precisava, mas eu precisava sim. Até me adaptar melhor a essa escola, eu precisaria sim de todos que não me achassem uma completa estranha.
Exceto para um..
0
comentários
M.H.
-
Popular Posts
-
A aula parecia não ter fim. Talvez eu apenas estivesse imaginando coisas, mas parecia que todos me encaravam o tempo todo, onde quer qu...
-
Sempre imaginei que a morte fosse algo horrível, doloroso e completamente diferente do que qualquer ser humano já tinha visto em vida. M...
-
As aulas passavam depressa, eu conversava com Pedro o tempo todo. Me vi contando a ele sobre meu passado, sobre como era antes. ...
-
Meu fim... Parecia tão ridículo, morrer daquela forma. Mas eu encontraria mamãe, só mais alguns segundos, com angústia insuportável e a...
-
Finalmente eu podia voltar para casa. Cerca de 3 dias se passaram desde que eu tinha acordado. Tinha perdido um mês na escola, mas isso ...
-
- Ok... - Disse ele recolhendo a mão. - Você está bem? Sacudi a cabeça, como se isso fosse colocar meus pensamentos em ordem. ...
-
Abri meus olhos. O teto escuro daquela casa sombria ainda estava ali, exatamente como quando fechei os fechei. Aquele quarto pe...
-
Tomei um banho demorado. Vesti uma regata preta, e por cima uma camiseta xadrez (vermelha e branca), calça jeans e uma sandália preta. ...
-
Uma luz forte, atravessava minhas pálpebras. Estranho... Não sabia que pessoas mortas tinham pálpebras. Abri-as devagar, aos pouco...
-
Uma semana depois, era visível que eu estava muito melhor, portanto, chegara a hora de voltar para a escola. Minha avó já havia convers...
The only exception, é um blog onde a imaginação de uma nova escritora, movida pela curiosidade de seus leitores, a fará escrever diversas histórias. 1ª história: "Agatha Mendes, 16 anos, Uma adolescente normal, com seus sonhos, seus desejos, suas frustrações, seus momentos de alegria... há cada dia uma nova surpresa surgirá em sua vida... Há cada dia, ela aprenderá a viver, a sofrer, a amar..."
Tecnologia do Blogger.


